Historia

•  A primeira vez que o topónimo Rebordosa surge em documentos oficiais data das inquirições de 1258, referindo uma unidade territorial chamada "Villa". Actualmente, ainda existe alguma discussão sobre a etimologia do termo, mas a teoria mais comum é a de que se encontra em "rebolosa" que, por sua vez, deriva dos reboleiros, que mais não são do que castanheiros bravos que dariam castanhas "rebordans" ou arredondadas - talvez uma espécie arbórea que terá sido abundante na região.

•  Mais tarde, e ainda de acordo com a documentação oficial, a freguesia de São Miguel de Rebordosa foi abadia de apresentação da Casa de Penaguião para, em 25 de Novembro de 1513, ser incluída no foral de Aguiar de Sousa, dado por D. Manuel em Lisboa. Já em 1839 aparece na comarca de Penafiel e, em 1884, na de Paredes. 

•  Eclesiasticamente, pertenceu ao extinto Bispado de Penafiel – arcediago de Aguiar de Sousa no séc. XII, à comarca eclesiástica de Penafiel – 1º Distrito entre 1856 e 1907 e à Vigararia de Paços de Ferreira entre 1916 e 1970. Vila desde 16 de Maio de 1984, Rebordosa foi elevada a Cidade a 1 de Julho de 2003 pela Lei nº 72/2003 de 26 de Agosto de 2003 da Assembleia da República, publicada no Diário da República nº 196 Série I-A.

•  No início do séc. XIX, Rebordosa foi palco de violentas lutas entre liberais e absolutistas ficando célebre, pelos seus sermões antiliberais, o Padre Alvito Buela Pereira de Miranda.

•  O historial de Rebordosa tem uma ligação umbilical com as suas características geomorfológicas e ao nível da flora local: às pequenas serras quartzíticas, junta-se a acidez dos solos, com razoáveis valores de potássio, sais de ferro e alumínio e estão criadas as condições para que os montes fiquem largamente povoados de madeiras grossas, altas e fortes, nomeadamente pinheiros, carvalhos, salgueiros e eucaliptos.

•  Por toda esta uniformidade, não é surpresa nenhuma que, desde a Idade Média, e como actividade paralela à agricultura, mas revestida da mesma importância, a produção de mobiliário em madeira seja a imagem de marca da freguesia. Contudo, antes do salto economicamente qualitativo trazido pela indústria de madeira, até meados do séc. XX a agropecuária dominava as estatísticas, “ruralizando” a região. Até então, assistiu-se à proliferação de moinhos para a produção de farinha, chegando a existir 41 moinhos na freguesia em 1922!

•  Segundo o testemunho de um dos “pais da industria do mobiliário em Rebordosa”, o Sr. Joaquim Moreira dos Santos, a transformação da madeira em termos de marcenaria foi introduzida por um italiano, siciliano de origem, que, pelos anos 20 do séc. XIX, aqui se estabeleceu, contraindo matrimónio com uma senhora de Santa Luzia. Desse casamento houve três filhos varões, ficando esta família conhecida por «Sesilas», da qual ainda hoje há descendentes.

•  Esta actividade teve um impacto tão grande que, de acordo com os mesmos testemunhos, nos finais do séc. XIX praticamente todas as famílias tinham cadeireiras, conhecidas por carreteiras (mulheres que transportavam cadeiras às costas ou à cabeça). O sector teria o seu momento mais negro a partir de 1914, com o eclodir da Primeira Grande Guerra e com a emigração para o Brasil, mas rapidamente Rebordosa recuperaria aquela que se iria tornar a sua actividade principal. Em 1922, dava-se conta de pequenas oficinas que iniciavam tráfego de mercadorias para Lisboa e Porto, demonstrando a qualidade inequívoca dos produtos finais. Em 1935 surgem os primeiros relatos de importação de mão-de-obra qualificada ao nível dos acabamentos e esse ponto parece ter resultado em cheio, já que é uma das actuais imagens de marca do sector. O crescimento foi tal que Rebordosa passou a figurar no mapa económico nacional como o “berço do móvel”. Os 60 por cento de taxa de ocupação de actividade profissional da freguesia neste sector demonstram, de forma clara e inequívoca, o papel primordial que Rebordosa teve – e tem – no relançamento da economia portuguesa intra e extramuros.

•  Apesar da força que o sector tem, existem actualmente alguns obstáculos dignos de referência, nomeadamente os incêndios florestais. É neste ponto que Rebordosa se pode assumir como guia do sector, uma vez que, não tendo sido directamente afectada pelas calamidades recorrentes no verão nacional, tem boas probabilidades de continuar a garantir a qualidade das madeiras utilizadas pelas indústrias localizadas na freguesia e, como tal, garantir também a qualidade reconhecida do produto final. Se, nos últimos seis anos as indústrias de serração e de mobiliário perderam mais de 13 mil empregos, Rebordosa entra em contra ciclo, reforçando a importância do sector na economia da freguesia, especialmente se tivermos em linha de conta que 65% do produto é exportado. De tal forma é assim que a freguesia se prepara para receber o Parque de Exposições de Rebordosa, onde a indústria do Mobiliário vai poder mostrar ao grande público toda a sua qualidade.








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